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O bloqueio do escritor [seguido pelo tumulto do escritor & pelo bloqueio final]

por Ştefan Bolea
tradução de Oana Popovici

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Tinha chegado a um beco sem saída. Tinha recomeçado a prezar as virtudes do ano – 1. A falta patente de autenticidade. A melancolia com a sua excessiva força da gravidade. O ar pesado, o espírito enfartado, desgostava-me como um caixão. Um trauma idiota comia de mim como o verme gordo que comia da múmia do Banquo. Ainda por cima, a terrível aliança dos instintos projectava a minha melancolia como um mecanismo de sobrevivência. A tudo isto acrescentava-se o desgosto face ao prole. Queres superar-te a ti próprio? Queres progredir como uma nuvem negra que abre o caminho do furação? Queres ser a lua crescente do Baiazid de Scrisoarea III? Queres ser a mordida da cobra, o bisturi ou o slam-dunk do Dwayne Wade contra cinco defensores? „I am become Death, the destroyer of worlds…” Nunca serás uma dessas coisas. Mas crescerás com mais ódio e ressentimento e com mais amor vitríolo na tua alma. Estás a experimentar a depressão do conquistador e do dono dos escravos, e não a do desamparado ou do frustrado que culpa o outro pelas suas falhas. No entanto, por mais satisfeito que estejas por teres cumprido alguma coisa, quase que ficas enjoado. Odeias o realisatio, experimentas a pequenez, o sentimento incrivelmente encorajador do facelessness, o desapontamento de um desacordo que te dá um golpe com as garras…O sentimento de insatisfação e repugnância, a sensação de vazio interior, para mimar um cliché, a sensação de te teres atirado numa fonte sem chegar ao fundo de uma vez, equanto o segundo de terror demora mais do que a distância temporal do Bing Bang até à apocalipse, todas estas pequenas – digamos – “falhas” alimentam a tua vontade, afiam-te e constituem a tua essência como indivíduo único. Tens que lutar para resistir, mesmo se souberes que pertences à última célula, porque é só nas profundidades que a flor do dinamite brota. Enfim, eis o background. Consegui sair do meu próprio túmulo graças a umas triplas circunstâncias favoráveis. Sentia-me como em Limitless, tinha espectaculares ideias estruturais, estava a escrever como um delírio e depois acordava. Acordei? Ainda não tenho a certeza, talvez seja apenas um false awakening. You have to struggle constantly, otherwise you shall constantly lose. Ou seja, gostava da sensação de caminhar pelos terrenos virgens, embora tivessem sido pejados de minas. Uma vez, num Verão, obcecava a ideia do suicídio, sobre o qual escrevia um ensaio (tinha lido muito sobre Antropologia e Sociologia). Dalguma forma, já tinha finalizado o tema, embora não tivesse estado contente com as minhas conclusões. Voltei apenas um grau antes do clímax e, depois de ter reparado que tinha adoptado a atitude de bom senso (atitude essa que podia ser adoptada por um outro pesquisador também), observei que havia um outro caminho arriscado, em que tinha a possibilidade de apostar, ainda que ninguém me tivesse seguido. Então ajustei-me, embora tenha sido muito difícil defender-me ou até apresentar justificações para as novas hipóteses. De alguma forma, senti que estava a escapar de um espaço fechado, que estava a ver/pensar além do mundo e talvez tenha sido um pequeno pormenor, ou ao contrário, estava a aprender a perceber a essência da transgressão. Mais duas coisas sobre a escrita, uma que me irrita e outra que me diverte, um ego booster real. As palavras (quase que) não interessam. Deveriam aparecer sinais no céu, olheiras no cérebro dos deuses, terramotos, colisões dos planetas, isto é, se a intensidade dos sentimentos que criaram os meus poemas tivessem ressoado com o Cosmos. A um nível muito mais modesto, somente queria ver um efeito qualquer produzido na mente e na alma de alguém. Seja quem for. It feels like masturbation sometimes… You write, take death inside your heart, because you kill natural life when you live in writer’s time and sometimes purposelessness makes you choke or puke. Por um outro lado, sou articulado, you can hate me but you know I’m right.

Sou capaz de escolher as palavras de tal maneira que obtenha a agilidade e a agudeza de uma arma branca. Todavia, às vezes apetece-me fechar à chave todos os editoriais da EgoPHobia divulgando-os apenas aos que quase se tornam epilépticos por causa do desgosto e da revolta. Aos que destroem através da criação, escreveria textos personalizados, com instruções parecidas aos do projecto Mayhem: se não se poder apunhalar o sistema, vamos então relaxar-nos com pequenos actos de sabotagem, que não fazem mal a ninguém mas levantam muitas questões. Às vezes isto também me parece lame e apetece-me fechar à chave todos os meus textos, não os divulgando a ninguém. Por um outro lado, o acto de escrever parece-me uma fatalidade e quero finalizar a minha careira com vários livros de mais de 1000 páginas, póstumos, claro. I’m starting to feel that I’m hard to follow and I really need a cigarette break so that’s it.

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3 Comments

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